... era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e se acabou."
Foi com esse verso de uma canção infantil que eu reparei em um pequeno detalhe, na verdade em uma pequena lição que a sociedade já vem querendo nos ensinar desde que somos pequenos. A lição de que, um dia, o amor acaba.
Talvez não o amor de mãe ou de irmão, pois acho que esse tipo de amor que é fortalecido através de laços sanguíneos raramente se extingue, mas posso dizer que o amor de uma amiga ou de um namorado tem sim inúmeras chances de acabar. Certo tipo de amor é assim mesmo, se cansa, se enfraquece com o tempo e acaba. E não, eu não estou me referindo à paixão não, falo de amor mesmo. Quem acha que amor dura pra sempre, que amor não tem fim jamais... bom, um dia vai descobrir que tem amor que acaba sim e nem sempre acaba da melhor forma possível.
Enfim, acho que a sociedade, mais especificamente o autor dessa canção infantil, se compadeceu e resolver colocar um aviso dentro das nossas cabeças dizendo que aquele amor imenso que faz o coração bater mais forte e os olhos brilharem de felicidade pode chegar ao fim um dia. Talvez ele mesmo tenha sofrido uma decepção amorosa antes de escrever a canção e resolveu alertar todos aqueles que pudessem ouvi-la do fato desesperador que até o mais puro dos amores, o amor infantil, aquele mesmo, o sem maldade nem malícia, acaba.
O anel não precisa ser de vidro pra quebrar e o amor não precisa ser pouco pra acabar. O anel pode ser de ouro e o amor pode ser imenso, mas nada disso impede de quebrar ou acabar. Nada impede um ser humano de destruir um sentimento tão mágico como o amor. Coloquem a culpa no destino, na vida, no tempo, no que quiserem. No final das contas é o próprio amante, o próprio amado que põe um ponto final no amor. Talvez isso seja por causa da canção... desde pequenos aprendemos que amor tem fim e por isso mesmo somos automaticamente induzidos à provocar esse fim.
Que seja: entre tantas coisas boas da vida, amor é uma das que acaba. Você pode decidir se vai ser rápido ou devagar, com dor ou com anestesia, com aviso prévio ou de surpresa. E você pode decidir por não acabar também, o que talvez seja uma escolha mais apropriada. Só não pense que não pode acabar, pois os avisos não são poucos. Lembre-se de outra melodia que cantaram uma vez: "Tristeza não tem fim, felicidade sim..."
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